sexta-feira, 27 de junho de 2014

DO MODELO DOS MODELOS AO AEE
“DA SEGREGAÇÃO À INCLUSÃO”

                  
 “Somos todos geniais. Mas se você julgar um peixe por sua capacidade de       subir em árvores, ele passará a vida inteira acreditando ser estúpido”.
                                                                            Albert Einstein

A história da atenção à pessoa com deficiência tem se caracterizado pela segregação, acompanhada pela consequente e gradativa exclusão, sob diferentes argumentos, dependendo do momento histórico focalizado.
No decorrer da História da Humanidade foram se diversificando a visão e a compreensão que as diferentes sociedades tinham acerca da deficiência. A forma de pensar e agir com relação à deficiência enquanto fenômeno e à pessoa enquanto ser modificaram-se com o passar do tempo e das condições sócio históricas.
O primeiro paradigma formal a caracterizar a relação da sociedade com a parcela da população constituída pelas pessoas com deficiência foi denominado Paradigma da Institucionalização. Tais instituições constituíram-se locais de confinamento, em vez de locais de tratamento das pessoas com deficiência, muitas vezes eram pouco mais do que prisões.
Somente no século XX, por volta de 1960, é que esse paradigma começou a ser criticamente examinado, iniciou-se então, no mundo ocidental, o movimento pela desinstitucionalização, baseado na ideologia da normalização, que defendia a necessidade de introduzir a pessoa com deficiência na sociedade, procurando ajudá-la a adquirir as condições e os padrões da vida cotidiana, no nível mais próximo possível do normal, ou seja, seguindo um MODELO, “MODELO, este idealizado pelo senhor Palomar”.
Ao adotar as ideias de normalização, criou-se o conceito de integração, que se refere à necessidade de modificar a pessoa com deficiência de forma que esta pudesse vir a se assemelhar, o mais possível, aos demais cidadãos, para então poder ser inserido, integrado, ao convívio em sociedade, seguindo o MODELO DOS MODELOS, como sugere o texto, assim, integrar significava localizar no sujeito o alvo da mudança.
                   Este paradigma, logo começou a sofrer críticas provenientes da academia científica e das próprias pessoas com deficiência já organizadas em associações e outros órgãos de representação, entendendo que diferenças na realidade não se “apagam”, mas sim, são administradas na convivência social. Essa discussão ampliou-se sobre o fato de a pessoa com deficiência ser um cidadão como qualquer outro, detentor dos mesmos direitos de determinação e de uso das oportunidades disponíveis na sociedade, independentemente do tipo de deficiência e do grau de comprometimento que apresentem. Nesse ponto:” a regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de MODELOS”.
                   Diante dessas discussões assumiu-se que as pessoas com deficiência necessitam sim de serviços de avaliação e capacitação, mas também que a sociedade deve manter uma relação de respeito, de honestidade e de justiça com essa parcela de seus constituintes, cabendo a ela reorganizar-se de forma a garantir o acesso de todos os cidadãos, inclusive os que têm deficiência, a tudo o que a constitui e caracteriza, independentemente das peculiaridades individuais.
                   Fundamentados nessas ideias é que surgiu o paradigma de suportes caracterizado pelo pressuposto de que a pessoa com deficiência tem direito à convivência não segregada e ao acesso imediato e contínuo aos recursos disponíveis aos demais cidadãos. Foi nessa busca que se desenvolveu o processo de disponibilização de suportes e instrumentos que garantam à pessoa com deficiência o acesso a todo e qualquer recurso da comunidade, assim, “o MODELO dos MODELOS almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha”, pois incluir socialmente não é um processo que envolva somente um lado, mas sim um processo bidirecional, que envolve ações junto à pessoa com deficiência e ações junto à sociedade.
                   No âmbito da Educação esse movimento é coroado pela Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), que tem como objetivo assegurar a inclusão escolar de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino para garantir  acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino, ofertar o Atendimento Educacional Especializado – AEE, formação de professores para o AEE e demais profissionais da educação para a inclusão.  E a Resolução nº4/CEB/CNE, de 02 de outubro de 2009, vem instituir diretrizes operacionais para que esse atendimento, o AEE, se efetive na Educação Básica, modalidade da Educação Especial.
                   Cabe a todos nós, agora, dedicarmo-nos à efetivação desse desafio que, embora de difícil realização, é de nossa competência e responsabilidade. Precisamos enfrentar nossos medos, garantir as condições e construir nossos MODELOS de inclusão educacional. E para fazer isto, como diz o texto,” melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis”.
                   Oferecer uma educação que assegure participação e aprendizagem de qualidade para todos os alunos, exige não apenas o desenvolvimento da escola como um todo, mas é imprescindível que o processo de melhoria da escola se traduza em mudanças concretas na maneira de conduzir o processo de ensino e aprendizagem, bem como na eliminação de barreiras que impedem a aprendizagem e participação de todos os estudantes, respeitando a diversidade de ritmos e estilos de apreensão e construção do conhecimento, onde o sujeito é percebido como um todo com possibilidades e necessidades, porém, vem antes de qualquer dificuldade que possa ter.


REFERÊNCIA:

- Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008.
- Resolução nº4/CEB/CNE, de 02 de outubro de 2009.
- Educar na Diversidade: material de formação docente. MEC, SEESP, 2007.
- Projeto Escola Viva – Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola. MEC, SEESP, 2000.

sábado, 7 de junho de 2014

RECURSOS E ESTRATÉGIAS DE BAIXA TECNOLOGIA QUE APOIAM O ALUNO COM TEA/TGD EM SEU DESENVOLVIMENTO

A aprendizagem de alunos com Transtorno do Espectro do Autismo – TEA/TGD se dá através de uma abordagem vivencial. Todos os momentos e ambientes são utilizados como objetos de estudo. Na sala de aula, no parque, em casa, sempre haverá o que será usado como objeto de aprendizagem. Na escola, primeiro explora-se a sala de aula, depois os demais ambientes, porém deve-se dar importância ao que mais agrada a criança para iniciar um trabalho de adaptação e familiarização entre professor e aluno.
Estabelecer rotinas e ajudar o aluno a incorporar regras de convívio social, também é atitude de extrema importância para garantir o desenvolvimento na escola e fora dela.
Para avaliar e estimular o desenvolvimento de competências deve-se propor atividades de socialização, linguagem (emissão e compreensão), cognição, autocuidados e motricidade.
Apresentamos a seguir, alguns exemplos de materiais pedagógicos utilizados para o desenvolvimento da comunicação e habilidades de alunos com TEA/TGD, que poderão ser confeccionados com recursos de baixa tecnologia.


ROTINA DIÁRIA






A rotina esquematizada é essencial para um trabalho com alunos com autismo, pois é ela que vai nortear todas as ações dentro da escola. É o que dá familiaridade, previsibilidade e que proporciona segurança e reduz a ansiedade do aluno.
Para esta atividade utilizam-se cartões plastificados indicando as atividades, fixados
no mesmo local todos os dias para fazer a agenda diariamente. Ex.: entrada – oração – música – história – calendário – atividade – higiene – lanche – recreio – parque – jogos – saída. Pode-se usar também, fotos da criança fazendo as atividades ou figuras que representem as mesmas.

COMO ESTOU HOJE?

 

O aluno pode demonstrar através de cartões como está se sentindo: Irritado, Alegre, Triste, Surpreso.
Esta atividade proporciona o autoconhecimento, desenvolvendo a autoestima e autoconfiança. Pode ser realizada nos diversos espaços: no AEE, sala de aula,  ambiente familiar, sendo executada individualmente ou em grupos.


PAREAMENTO






Apresentar cartões com gravuras e letras que representam a palavra que as identificam.
Pode ser usado em atividades individuais e coletivas nos diversos espaços escolares, como sala de aula comum e SRM. Proporciona o desenvolvimento de habilidades de comunicação (expressiva e receptiva),  e de cognição.








CONCEITOS MATEMÁTICOS





Para introduzir conceitos matemáticos como: cheio, vazio, muito, pouco, fazer uso de potes com quantidades variadas e pote vazio.










Para introduzir conceitos matemáticos de tamanho, fazer uso de cartões com gravuras e a escrita da mesma, representando o grande, médio e  pequeno.

Podem ser realizadas nos diversos ambientes individualmente ou no coletivo, proporciona o desenvolvimento dos processos mentais superiores.




 CORES











 Para introduzir noção de cores utilizam-se cartões com gravuras que correspondam as cores pretendidas.

LINGUAGEM E PENSAMENTO



Para promover o desenvolvimento da linguagem e do pensamento deve-se fazer uso de cartões representando história seriada e ou fatos em sequência.
Pode ser realizada na biblioteca, sala de aula, SRM, nos diversos ambientes, de forma individual ou coletiva. Amplia a comunicação e promove a interação social.




MOTRICIDADE E LINGUAGEM







Para dar início a habilidade de montar quebra cabeça é importante iniciar com uma figura única e grande. O corte da figura poderá ser bem simples no início, para se ter apenas duas partes. Poderá ser um corte  horizontal ou vertical, para ir aumentando aos poucos o nível de dificuldade, 3 peças, 4 peças... e os cortes também serão mais elaborados conforme a progressão do aluno na atividade.





Essas atividades deverão ser planejadas pelo professor do AEE em interface com o professor  da sala comum e o professor acompanhante se tiver, podem ser realizadas nos diversos ambientes, onde o aluno com TEA/TGD será observado no seu desenvolvimento, aumentando o nível de dificuldades de acordo com seu desempenho.